Sobre o Sombra&Ar

Sobre o Sombra & Ar.


Na defesa do verde: um desabafo.

Eu necessito, para viver, de SOMBRA fresca e de AR úmido proporcionados pelas árvores urbanas do mesmo modo que outros seres vivos, como as aves e os insetos, necessitam de seus frutos e suas flores e da proteção e abrigo de sua folhagem para poderem viver e se reproduzir na urbe e, assim, contribuir para um meio ambiente MAIS equilibrado.

Praça Rotary Club:
 metade de sua arborização fora retirada
 para a construção de uma EMI e uma UBS.
Vê-las sendo constantemente mutiladas - quando não arrancadas - como coisas sem valor que apenas causam transtornos, e justamente por quem deve protegê-las, ou seja, o poder público municipal, me incomoda sobremaneira. Observar as poucas áreas verdes do município, como as praças e seus maciços arbóreos, sendo continuamente diminuídos pelas edificações públicas erguidas ora em nome da educação, ora em nome da saúde, me deixa indignada: que inversão de valores! A mesma indignação me acomete ao observar árvores sadias e, sobretudo, nativas do Bioma Mata Atlântica - raridade na paisagem da cidade - sendo arrancadas, pois o (a) profissional não levou em consideração sua existência no passeio público, ao projetar sua majestosa “obra prima” sobre solo totalmente impermeabilizado!  Assim como a contínua introdução de espécies não oriundas do Bioma citado, conhecidas como exóticas - inclusive espécies invasoras, que desequilibram ecossistemas nativos, como a Serra do Mar - nas vias, nas praças, nos parques, nos edifícios públicos e nas propriedades privadas. E a pouca diversidade de espécies na arborização viária o que compromete a estabilidade ecológica das "populações" arbóreas; tornando-as suscetíveis as pragas e doenças.   
Incomodada, angustiada, INDIGNADA: é notório que algo deve ser feito para transformar esta realidade por leis municipais específicas, seguindo critérios ecológicos e, assim, também garantir a qualidade ambiental para a biota regional.

Uma mudança de olhar sobre a arborização urbana!
E a quem recorrer?

Ao Ministério Público, com seus Termos de Ajustamento de Conduta (TAC), onde o que se consegue é uma ação compensatória pelo dano causado? 
Plantar, plantar e plantar.

Ao Legislativo?
Para a criação de leis específicas, e com a participação popular na tomada de decisão (Estatuto da Cidade), que garantem, entre outros aspectos, a preservação do existente, o planejamento, o manejo dos exemplares arbóreos e a introdução de vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica (diversidade de espécies, gêneros e famílias), sobretudo árvores frutíferas (silvestres) que forneçam alimento para a avifauna e cuja arquitetura das copas nos deem generosas sombras, seria o sensato; afinal atender aos anseios da comunidade é papel dos edis!  
Mas como, se em 2007 TODOS os vereadores da situação, e que eram e continuarão sendo a maioria, rejeitaram uma simples solicitação de cidadãos e cidadãs para que a Prefeitura dissesse quais eram as espécies que estavam sendo introduzidas na paisagem?!
Quantas espécies exóticas oriundas de outros países, nativas dos demais biomas brasileiros e as nativas da região da Mata Atlântica, onde está inserido o município de São Caetano do Sul, foram introduzidas na paisagem na primeira e segunda gestões “Auricchianas”? Desejo saber.
Murta-de-cheiro: espécie originária
 da Índia e Malásia.
Considerada contaminante biológica.
Ao Programa Estadual Município Verde-Azul, que exige das prefeituras a elaboração de um Plano de Arborização Urbana? 
Seria um caminho! Contudo, ouvi uma sucessão de ignomínias apresentadas neste evento quanto à arborização e que me deixaram com uma certeza: os equívocos continuarão!
Primeiro, porque o assunto fora tratado por uma pessoa que NÃO entende absolutamente nada sobre; palavras emitidas pela própria. Segundo, não interessa aos coordenadores do programa o que as prefeituras estão ou irão plantar; o que importa é ter um plano assinado por um técnico. Pode-se plantar murta-de-cheiro (Murraya paniculata), caso o técnico determine, disse o coordenador do programa!
Murta é espécie exótica, considerada invasora, é hospedeira de um inseto transmissor de uma bactéria que tem comprometido o desenvolvimento de espécies frutíferas (citrus) em cidades produtoras de hortifrúti no interior de São Paulo e que fora encontrada em mata nativa no trecho sul do Rodoanel, para desespero dos técnicos conscientes! Tem sido introduzida freneticamente na cidade desde a primeira gestão “Auricchiana” (2004).  Podemos observá-las “imperando” na Rua Visconde de Inhaúma, Avenida Guido Aliberti e área central da cidade.

Ligustro: espécie arbórea
originária da China.
Está no topo da lista
das espécies invasoras de
áreas de proteção ambiental.
As ONGs?!
Conheci, na apresentação do Programa Estadual Município Verde-Azul, na USCS, o presidente de um Instituto que atua, dentre outras ações, na “defesa” da vegetação.  Pensei: pode ser outro caminho na tentativa de abertura de diálogo com o poder público; afinal, instituição tem por hábito ouvir instituição. Mas há “um porém”: um dos programas do Instituto consiste no salvamento de mudas e seu replantio nas áreas urbanas e áreas degradadas. No entanto, não existem critérios ecológicos no emprego dos indivíduos arbóreos: todas as mudas salvas são plantadas, não importando sua origem.
Cheguei, neste dia, a ouvir do ambientalista que preside o Instituto - e que ganhara, tempos depois, cargo comissionado na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, e uma cadeira no CONDEMA, representando a sociedade civil - que o exótico ligustro (Ligustrum lucidum) é uma boa opção para o reflorestamento urbano, pois os pássaros adoram seu fruto.  
Ligustro é nativo da China, considerado espécie invasora. Suas raízes arrebentam calçadas e o pólem de suas flores causam crises alérgicas em quem é suscetível.
Algumas tentativas fiz, de um encontro, para dialogarmos sobre a questão: mas estava sempre muito ocupado. Possibilidade abortada. Quantos ligustros foram introduzidos na paisagem pelo Instituto? Desejo saber.

Espatódia ( Spathodea campanulata),
 espécie arbórea originária da África,
cuja copa frondosa é constantemente
arrancada pela Sesurb.
Será devido à toxidade de suas flores?
A Agenda 21 (Agosto de 2008)?
Jés, agrônomo do DEPAVE de Santo André e defensor da arborização com critérios ecológicos, me apresentara a Agenda 21 de São Caetano do Sul. Excelente canal de abertura para o diálogo!
Afinal, representantes do poder público municipal (gabinete do Prefeito com Adauto Campanella e Semas com Rogério Alvarenga - engenheiro florestal) estariam presentes às reuniões. Nos dois primeiros encontros, o assunto arborização ecoou espontaneamente. Era visível o desconforto dos participantes com relação aos maus tratos. Questionei do porquê a Prefeitura praticar a poda drástica, e o representante da Semas disse que não era a Prefeitura e, sim, a Eletropaulo (companhia de energia) quem fazia poda drástica. Curiosamente, na época, tinha em meus arquivos um arsenal de imagens com o pessoal da Sesurb mutilando árvores em calçadas livres de fiação!
Soubemos que o manual de arborização urbana estava sendo elaborado e contaria também com espécies exóticas!
Mais quais?  E por quê?
O representante da Semas não estava “autorizado” a dar detalhes sobre. Silenciou com o total apoio do presidente do Instituto que salva mudas. Alegara que o projeto teria que ser aprovado pelo Legislativo!
Oras, estávamos ali justamente para participar destes projetos, como determina o Estatudo da Cidade (Lei Federal 10.257): participação popular na tomada de decisão!
Decepções.
De fato muitos são os olhares e posturas que devem ser transformados.
Surge, também em 2008, a possibilidade de expor o assunto aos candidatos às prefeituras dos sete municípios que compõem a Região, possibilidade esta oferecida por intermédio de Sandro Nicodemo, coordenador da Agenda 21 do ABCD.
Elaboramos eu, Jés e Cibele (pessoa que me apresentara Jés), um singelo manifesto abordando, de modo informal, a arborização urbana baseada em critérios ecológicos, pois reflorestar com responsabilidade se faz necessário. Urge!
Sinceramente não sei se o mesmo fora entregue aos candidatos.
Demos nossa contribuição.

Levar a questão ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (CONDEMA) poderia ter sido outro caminho, mas não consigo ver com seriedade Conselhos formados de modo antidemocrático, cuja representação da sociedade civil é nomeada pelo Prefeito!
Prática vergonhosa.

Mudas do gênero  Melaleuca
 (exótica - origem Austrália)
foram plantadas  no encerramento
do evento de apresentação
do Programa Município Verde-Azul.

Enfim...

Desde abril de 2011 o município possui um Plano Municipal de Arborização Urbana (exigência do Programa Estadual Município Verde-Azul), cujos anexos especificam quais as espécies que estão sendo introduzidas na paisagem pela Sesurb e Semas. Passados seis anos da primeira tentativa de acesso a esta INFORMAÇÃO, ainda não consegui a lista com as espécies escolhidas: não está disponível no sítio nem da Câmara, nem da Prefeitura; e pela Ouvidoria Municipal não houve retorno. Sobre o Plano de Arborização, pelo que tenho observado pela cidade, apenas palavras em forma de artigos para se obter pontinhos no Programa Estadual Município Verde-Azul, e nada mais.

Neste blog, na medida do possível, vamos descobrir como está e como ficará, com a nova gestão, o verde de São Caetano do Sul.


Imagens extraídas do Google Maps.








Abraços fraternos.
Tuca Monteiro.























2 comentários:

Thiago Cavallini disse...

Parabéns pela iniciativa. Espero que o movimento cresça e dê frutos. Conte com o meu apoio.

Thiago Cavallini

Unknown disse...

Como posso colaborar e ajudar ? Gostaria de fazer parte , voluntariamente, destas iniciativas .